
A Divisão I da NCAA adotou em junho um modelo de elegibilidade baseado em idade, com até cinco anos para quem se matricula no ano letivo seguinte aos 19. Na G League, o contrato two-way segue limitado a três jogadores por time da NBA.
As duas portas americanas para o jogador brasileiro se chamam NCAA, o esporte universitário, e G League, a liga de desenvolvimento da NBA. Uma delas acaba de mudar de regra.
A NCAA passa a contar idade, não temporadas
Em 23 de junho de 2026, a Divisão I da NCAA adotou um modelo de elegibilidade baseado em idade. Pela nova regra, o atleta tem até cinco anos de elegibilidade se ingressar na faculdade no máximo no ano letivo seguinte ao aniversário de 19 anos.

O modelo elimina o limite de temporadas de competição, as regras de redshirt por modalidade e os pedidos de extensão de elegibilidade. Redshirt é o ano em que o atleta treina com o time, mas não joga, para preservar temporadas.
O relógio passa a correr sozinho. A NCAA explica que o período de cinco anos começa na matrícula em tempo integral em qualquer faculdade ou no ano letivo seguinte ao aniversário de 19 anos, o que vier primeiro. Ele não para por transferência, por lesão ou por temporada sem jogar.
A regra vale integralmente para quem ingressar no outono de 2027. Quem entrou no ano letivo 2026-27 pode escolher entre o modelo antigo, de quatro temporadas em cinco anos, e o novo.
O que isso muda para o brasileiro
Muda bastante. No Brasil, é comum o jovem assinar contrato profissional cedo e jogar entre adultos antes dos 19 anos. No modelo antigo, o que contava era quantas temporadas ele já havia disputado. No novo, conta quando ele se matricula.
Quem sai do Brasil mais velho perde janela. Quem organiza a mudança logo depois do ensino médio preserva os cinco anos inteiros.
Antes de tudo, o atleta internacional precisa abrir conta no NCAA Eligibility Center, o órgão que certifica histórico escolar e situação amadora. Para as Divisões I e II, a conta precisa ser acadêmica e atlética. A entidade mantém guias de equivalência escolar para mais de 150 países e regiões, porque os sistemas de ensino variam.
A G League é mais estreita do que parece
A liga de desenvolvimento da NBA chega à 26ª temporada em 2026-27 com 31 times: 30 afiliados a franquias da NBA e o independente Capitanes, da Cidade do México.
O vínculo mais valioso é o contrato two-way, que permite ao atleta dividir a temporada entre os dois times. As regras são fechadas: cada equipe da NBA pode ter no máximo três jogadores nessa condição, cada um pode ficar ativo em até 50 jogos da NBA e só assina quem tem três anos ou menos de serviço na liga. O salário equivale à metade do mínimo da NBA.
A própria liga informa que 51% dos jogadores em elencos da NBA na temporada 2025-26 tinham passagem pela G League. O programa Ignite, que pagava jovens para se preparar fora da faculdade, foi encerrado depois de 2023-24.
As duas portas se comunicam
O caminho deixou de ser de mão única. Nathan Mariano, ala brasileiro de 2,06 metros, jogou a temporada passada pelo Valley Suns, afiliado do Phoenix Suns, com médias de 2,4 pontos e 2,5 rebotes em minutos curtos. Em abril de 2026, foi anunciado pelo Seton Hall, da Divisão I.
Segundo o jornal estudantil da universidade, Mariano é o primeiro jogador a voltar da carreira profissional para o basquete universitário sob o comando do técnico Shaheen Holloway.
O que vem a seguir: o modelo por idade passa a valer para todos os calouros no outono de 2027. Até lá, os dois conjuntos de regras convivem, e cada brasileiro que planeja estudar e jogar nos Estados Unidos precisa checar em qual deles se encaixa antes de assinar qualquer contrato profissional no Brasil.


