
A seleção feminina não se classificou para a Copa do Mundo de 2026 nem avançou no Pré-Qualificatório Olímpico de Guadalajara. A rota que sobrou para Los Angeles 2028 passa pela AmeriCup de 2027, onde o Brasil já tem vaga.
A seleção brasileira feminina chega ao fim de 2026 sem as duas portas mais rápidas para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Ficou fora da Copa do Mundo e caiu no torneio que funcionava como atalho. A rota que restou passa pela AmeriCup de 2027.
O que aconteceu no Pré-Mundial
Em março, o Brasil disputou o torneio classificatório de Wuhan, na China, valendo vaga na Copa do Mundo de 2026. Terminou com duas vitórias e três derrotas e ficou em quinto lugar no grupo, sem a vaga. Os números estão no perfil da equipe publicado pela FIBA.

Naquele torneio, Damiris Dantas foi a maior pontuadora brasileira, com média de 22,0 pontos por jogo. Kamilla Cardoso registrou 15,4 pontos e 10,0 rebotes por partida, e Alana Gonçalo distribuiu 5,6 assistências por jogo.
O atalho que não deu certo
A FIBA criou um Pré-Qualificatório Olímpico para as oito seleções que ficaram fora do Mundial. O torneio foi disputado em Guadalajara, no México, entre 17 e 23 de agosto de 2026. Só a campeã seguia adiante, garantindo lugar nos Torneios Classificatórios Olímpicos de 2028.
O Brasil chegou à semifinal e perdeu para o México em 23 de agosto. O Canadá venceu a competição, segundo a própria FIBA.
A rota que sobrou
Pelo sistema olímpico feminino da FIBA, os campeonatos continentais de 2027 alimentam os Classificatórios Olímpicos de 2028. A AmeriCup daquele ano distribui quatro vagas. A Europa recebe seis, a Ásia quatro e a África duas.
Os Classificatórios de 2028 reúnem 16 seleções em quatro torneios de quatro equipes cada. As três melhores de cada torneio vão a Los Angeles. Os Estados Unidos, país-sede, já têm lugar garantido.
Ou seja: para sonhar com os Jogos, o Brasil precisa antes terminar entre as quatro melhores da AmeriCup de 2027 e depois avançar no classificatório de 2028.
O Brasil já está na AmeriCup
A vaga na AmeriCup feminina de 2027 foi conquistada em agosto, no Classificatório Sul-Americano disputado em Zarate, na Argentina, entre os dias 3 e 9. Sete seleções disputaram quatro vagas.
A CBB confirmou a classificação brasileira em 8 de agosto, após a vitória sobre o Paraguai. Na sequência, o time perdeu a semifinal para a Argentina e venceu a Colômbia na disputa pelo terceiro lugar.
O terceiro lugar tem peso simbólico. Pelo histórico publicado pela FIBA, o Brasil soma 27 títulos no campeonato sul-americano feminino, com 16 conquistas consecutivas em determinado período. A Argentina venceu as edições de 2022 e de 2024.
Vale notar que os dois torneios de agosto aconteceram em sequência e com objetivos diferentes: primeiro Zarate, valendo vaga na AmeriCup, e depois Guadalajara, valendo o atalho olímpico. O calendário concentrado explica por que o mês foi decisivo para o ciclo.
Quem comanda o time
A CBB anunciou Léo Figueiró como novo treinador da seleção feminina em 23 de julho de 2026. Ele já atuava na estrutura das seleções de base femininas antes de assumir o time principal.
Por que isso importa
O Brasil conquistou o bronze olímpico feminino em Sydney 2000, medalha que completou 25 anos em 2025. O ciclo atual mostra um time que já não atravessa as fases eliminatórias com folga e que depende de um único caminho para voltar aos Jogos.
Há ainda um efeito prático. Sem Mundial em 2026, a seleção perde o calendário de jogos de alto nível que serviria de preparação, e o próximo compromisso oficial relevante só aparece em 2027.
O que vem a seguir
O próximo compromisso decisivo da seleção principal é a AmeriCup feminina de 2027. Até lá, o trabalho fica concentrado em períodos de treino e amistosos, formato que a CBB vem usando desde o início do ciclo.


