
A troca do tênis de basquete depende do desgaste da entressola, não do visual. Entidade americana de medicina esportiva indica troca mensal para quem treina três horas por dia, seis dias por semana. A Nike orienta lavagem à mão e secagem ao ar por pelo menos oito horas.
Quanto tempo dura um tênis de basquete depende menos do calendário e mais do número de vezes que a entressola foi comprimida. O desgaste que importa é justamente o que não aparece.
O número que a medicina esportiva usa
A American Academy of Podiatric Sports Medicine, entidade norte-americana de medicina esportiva podiátrica, publica uma orientação assinada por Michael Lowe, ex-presidente da instituição.

Para jogadores de basquete de ensino médio e universitário que treinam três horas por dia, seis dias por semana, a recomendação é trocar o tênis todo mês.
É um ritmo de atleta. Serve como teto de referência, não como regra para quem joga um racha no fim de semana.
Na mesma página, a entidade dá o parâmetro do tênis de corrida, que é o mais estudado: troca a cada 350 a 500 milhas, o equivalente a cerca de 560 a 800 quilômetros. Corredores mais pesados ou de pisada mais forte devem ficar perto do limite mais baixo.
A entidade calcula ainda que 500 milhas equivalem a aproximadamente 60 horas de uso no ritmo de oito minutos por milha. Esse número de horas é a forma mais fácil de transportar o raciocínio para a quadra.
O que se gasta primeiro
A orientação é explícita sobre o sinal de troca. O critério não é o furo visível no cabedal, e sim a degradação da entressola.
O texto descreve a entressola como um material compressível de absorção de impacto que, depois de certo número de compressões, deixa de voltar à forma original.
Quando isso acontece, o tênis continua inteiro por fora e já não protege. A entidade associa o uso de pares gastos a canelite, esporão de calcâneo, fascite plantar e fraturas por estresse.
A conclusão da própria instituição é que o calçado é uma forma barata de prevenção de lesão.
Como os laboratórios medem esse desgaste
O site de testes RunRepeat corta os tênis ao meio para medir cada parte. A maciez da entressola é aferida com durômetro Asker C, e a absorção de impacto segue a norma ASTM F1976.
A resistência da parte de baixo é testada com uma ponta de lixa a 10 mil rotações por minuto durante 22 segundos. O sulco deixado varia de 0,2 a 2,0 milímetros, e quanto menor, mais resistente é a borracha.
O site WearTesters, que testa cada modelo por pelo menos duas semanas em piso interno e externo, lembra que quadra externa áspera castiga solado e cabedal. A recomendação do guia é não destruir um par caro jogando na rua.
Como lavar sem estragar
A Nike publica no próprio site um passo a passo de seis etapas. Começa com escova de cerdas macias, ainda seca, para tirar a terra solta do solado, da entressola e do cabedal.
Depois vem a solução de limpeza: água morna com pouco sabão neutro de roupa ou detergente de louça. Para tênis claro, a marca sugere partes iguais de bicarbonato de sódio e água.
Os cadarços saem e são lavados à mão em separado. Solado e entressola vêm em seguida, com escova macia ou escova de dentes.
No cabedal, a orientação é escovar de leve e ir absorvendo a espuma com um pano, em vez de esfregar.
A secagem é ao ar, em temperatura ambiente, e a marca pede pelo menos oito horas.
A Nike também é clara sobre o que não fazer. A empresa afirma que não recomenda lavar tênis na máquina de lavar e desaconselha a secadora, porque o calor danifica o calçado.
Couro e camurça pedem cuidado específico e ficam fora da máquina em qualquer hipótese. Algodão, náilon, lona e poliéster podem ser lavados à mão. A marca também orienta testar detergente concentrado em uma área escondida antes de aplicar no tênis inteiro.
Como fazer o par render mais
Se o gasto vem do número de compressões da entressola, dividir o uso entre dois pares distribui esse total e estica a vida útil de cada um.
Separar o par de rua do par de ginásio segue a mesma lógica, porque o piso externo desgasta mais rápido, como mostram os testes.
E vale secar sempre ao ar, longe de fonte de calor, já que é o calor que deforma cola e espuma.
Por que isso importa
Tênis é o item mais caro do kit de quem joga basquete. Saber quando ele acabou evita dois erros comuns: trocar cedo demais, por estética, e tarde demais, por teimosia.
O critério da medicina esportiva é útil justamente por ser independente da aparência. O que manda é quanto a entressola ainda devolve, não quanto o tênis ainda brilha.
O que vem a seguir
Se você joga toda semana, comece a contar as horas de quadra que o par já tem. É o mesmo raciocínio que a corrida usa há décadas e que a medicina esportiva aplica também ao basquete.


