
Jogar basquete na NCAA sendo brasileiro depende de três coisas antes de qualquer teste na quadra: desempenho acadêmico comprovado, um histórico esportivo que a NCAA aceite e atenção redobrada às regras de visto.
A NCAA não é uma peneira esportiva. É uma associação de universidades, e por isso a primeira porta que o jovem precisa atravessar é acadêmica. Quem cuida disso é o NCAA Eligibility Center, o órgão que analisa histórico escolar e passado esportivo de cada candidato e diz se ele pode ou não competir.
O primeiro passo é o boletim
Para a Divisão I, a principal, a NCAA exige 16 matérias aprovadas em uma lista que ela chama de core courses: quatro anos de língua materna ou inglês, três de matemática a partir de álgebra, dois de ciências, um ano adicional entre essas três áreas, dois de ciências sociais e mais quatro de outras disciplinas aceitas. Dez dessas matérias, sendo sete entre língua, matemática e ciências, precisam estar concluídas antes do início do último ano do ensino médio. A média mínima nesse conjunto é 2,3 na escala americana. Estudantes internacionais seguem exatamente as mesmas exigências, com a diferença de que precisam entregar histórico traduzido e comprovação de conclusão de um curso que dê acesso ao ensino superior, tudo por meio de uma conta criada no Eligibility Center.

O passado esportivo também é analisado
O Eligibility Center revisa competições disputadas, pagamentos recebidos, contratos assinados e acordos de publicidade anteriores à matrícula. Segundo o guia que a FIBA publicou para jogadores internacionais interessados na NCAA, premiação em dinheiro recebida antes da matrícula em geral é permitida, mas salário acima do valor de despesas básicas costuma comprometer a elegibilidade. Isso pesa bastante no Brasil, onde é comum jovens assinarem com clubes ainda na base.
O relógio de cinco anos
A NCAA trocou a antiga contagem de temporadas disputadas por um critério de idade. O atleta tem até cinco anos de elegibilidade se entrar na faculdade no máximo no ano letivo seguinte ao seu aniversário de 19 anos. Esse período começa no que vier primeiro: a primeira matrícula em tempo integral em qualquer faculdade, inclusive fora dos Estados Unidos, ou o ano letivo seguinte aos 19 anos. E ele corre de forma contínua, mesmo que o atleta não jogue, se transfira ou fique parado. Na prática, adiar a ida para depois dos 19 anos pode reduzir o tempo disponível, e a própria NCAA alerta para isso na página em que explica o modelo.
Bolsa, NIL e a armadilha do visto
Depois do acordo judicial do caso House contra a NCAA, as universidades podem pagar diretamente seus atletas dentro de um teto anual por instituição, e os atletas também podem fechar acordos de NIL, sigla em inglês para nome, imagem e semelhança, com empresas de fora. Acordos com terceiros a partir de 600 dólares precisam ser informados em até cinco dias à plataforma NIL Go, da College Sports Commission, e passam por dois testes: se existe um propósito comercial real, com trabalho concreto, e se o valor corresponde ao mercado.
Aqui está o detalhe que mais pega brasileiros. A maioria dos atletas estrangeiros está nos Estados Unidos com visto de estudante F-1, que impõe restrições severas a trabalho remunerado fora do campus. O guia da FIBA é direto ao dizer que aprovação da NCAA não significa automaticamente que o pagamento é permitido pelo visto, e recomenda consulta a advogado de imigração e a especialista tributário antes de aceitar qualquer valor. A orientação prática que atravessa todo o processo é uma só: declarar tudo antes de se matricular, do contrato de base ao patrocínio de material esportivo, e pedir a confirmação de elegibilidade por escrito, sem confiar em garantia verbal de treinador ou empresário.


